A era dos reformadores (XI): o protestantismo na França

In:

GONZÁLEZ, Justo L. E até aos confins da Terra: uma história ilustrada do Cristianismo: a era dos reformadores – Vol. 6. São Paulo: Vida Nova, 1995, pág. 169 a 181.

“Nossas câmaras, nossos leitos vazios, / Nossos bosques, nossos campos, nossos rios, / Envergonhados de tanto sangue inocente, / Guardam silêncio e, em silêncio eloquente, / Pedem vingança, Vingança, vingança, …” (Cancioneiro huguenote do século XVI)

Ao começar o século XVI, poucas nações europeias tinham alcançado o grau de unidade que a França alcançara e gozava. E sem dúvida, durante este século, foram poucos os países que se viram tão divididos como ela. A causa disso foi o conflito entre os protestantes e os católicos, que na França chegou a longas guerras fratricidas.

Francisco I e Henrique II

Quem reinava na França quando explodiu a Reforma, era Francisco I, o último grande rei da casa dos Valois. Sua política religiosa foi sempre ambígua e vacilante, pois não desejava que o protestantismo se introduzisse em seus territórios e os dividisse, ao mesmo tempo em que, porém, se alegrava com os avanços dessa fé na Alemanha, que entorpeciam a política de seu rival Carlos V. Assim, ainda que não apoiasse os protestantes franceses, sua atitude para com eles variou com as necessidades e os tempos. Quando buscava uma aproximação com os protestantes alemães, tornava-se difícil perseguir na França aqueles que eram da mesma fé e então estes gozavam de um tempo para respirar. Porém, quando as circunstâncias mudavam, a perseguição voltava. Em meio a tantos vaivéns o protestantismo francês seguiu crescendo, não somente entre o povo, mas também entre os nobres. Além disso, a mesma política oscilante do rei obrigou muitos franceses a se exilarem – Calvino entre eles – e do estrangeiro tais pessoas seguiam com interesse os acontecimentos em sua pátria e intervinham neles quando lhes era possível.

Entretanto, no vizinho reino de Navarra, a irmã de Francisco, Margarida de Angulema, esposa do rei Henrique, alentava o movimento reformador. Margarida era uma mulher erudita que antes de ser rainha de Navarra, quando vivia na França, tinha apoiado os humanistas franceses e, depois disso, fez de sua corte um refúgio para os protestantes que vinham fugindo do país de seu irmão. Um dos membros do círculo de seus protegidos na França foi Guilherme Farel, que depois teve um papel importante na reforma suíça, como já vimos.

De Navarra e cidades fronteiriças tais como Estrasburgo e Genebra, os livros e pregadores protestantes se infiltravam constantemente na França, difundindo sua fé. Porém apesar de tudo isso não temos notícias de grupos organizados como igrejas, senão anos depois, em 1555.

Francisco I morreu em 1547 e foi sucedido por seu filho Henrique II, que continuou a política de seu pai, e sua oposição ao protestantismo foi mais constante e cruel. Apesar disso e de muitos mortos que a perseguição produziu, a nova fé continuou ganhando espaço no país. Em 1555, como já mencionamos, foi organizada a primeira igreja, seguindo os padrões traçados por Calvino. E quatro anos mais tarde, quando se reuniu o primeiro sínodo nacional, havia igrejas organizadas em todo o país. Aquele sínodo, que se reuniu em secreto nos arredores de Paris, redigiu uma Confissão de Fé e uma Disciplina para a novel igreja.

Francisco II e a Conspiração de Amboise

Pouco depois desse primeiro sínodo, Henrique II foi ferido num torneio e morreu como conseqüência disso. Deixou quatro filhos homens, três do quais seriam sucessivamente reis da França (Francisco II, Carlos IX e Henrique II), e três filhas, dentre elas Margarida, que seria rainha da França depois da morte de seus irmãos. A mãe de todos esses filhos era Catarina de Médicis mulher ambiciosa que tinha sido rejeitada quando seu esposo era vivo, e que agora aspirava apoderar-se do poder.

Entretanto, os projetos de Catarina foram impedidos pela família dos Guisa. Procedente de Lorena, esta casa, até então quase desconhecida nos anais do país, tinha começado a ganhar proeminência nos tempos de Francisco I. Pois o general Francisco de Guisa e seu irmão Carlos, cardeal de Lorena, tinham sido os principais conselheiros de Henrique II. E agora, visto que o jovem Francisco II não se interessava nos assuntos do estado, estes dois irmãos eram os que na realidade governavam em seu nome. Isto não era do agrado da velha nobreza, e particularmente dos “príncipes de sangue”, isto é, dos parentes mais próximos do rei, que se viam relegados pelos intrusos dos Guisa.

Nesta caricatura da época o huguenotes são representados como cães que atacam tanto o Leão da França como o Crucificado. Enquanto um prega e um grupo escuta, outro foge com as vestimentas e com os vasos sagrados.

Entre estes príncipes de sangue se encontrava Antonio de Bourbón e seu irmão Luíz de Condé. O primeiro tinha se casado com Joana d’Albret, filha de Margarida de Navarra, que tinha seguido as inclinações religiosas de sua mãe e tinha se tornado calvinista. Seu esposo, Antonio de Bourbón, e seu cunhado Luís de Condé aceitaram sua religião e com isso o calvinismo conquistou adeptos entre os maiores senhores do reino. Enquanto isso, os príncipes que se ressentiam do poder dos Guisa, eram católicos convencidos de que era necessário extirpar do país o protestantismo. Assim se deflagrou a falida conspiração de Amboise, cujo objetivo era apoderar-se do reino, separá-lo dos Guisa, e estabelecer uma nova política no país. Os principais implicados eram os “huguenotes”: nome de origem obscura que se dava aos protestantes na França. Quando a conspiração foi descoberta, os que tomavam parte dela foram presos pelos Guisa, entre eles Luíz de Condé. Isto causou grande revolta entre os nobres, tanto católicos como protestantes, que temiam que, se os Guisa se atreveram a encarcerar e condenar a um príncipe de sangue, todos os privilégios da velha nobreza seriam pisoteados.

Catarina de Médicis

Resultado de imagem para Catarina de MedicisAs coisas neste pé estavam quando Francisco II morreu inesperadamente. Catarina de Médicis interveio e tomou o título de regente em nome de seu filho de dez anos, Carlos IX. E visto que os Guisa haviam-na relegado e humilhado repetidas vezes, uma de suas primeiras ações foi libertar a Condé e aliar-se aos principais huguenotes para limitar o poder dos de Lorena. Nessa época os protestantes do país já eram numerosos, pois se diz que havia por volta cio mil congregações. Logo, por motivos de política e não de convicção, Catarina tratou de granjear a simpatia dos huguenotes. Os que estavam encarcerados foram libertos, com uma inócua admoestação insistindo com eles que abandonassem a heresia. Em Poissy a regente reuniu num encontro teólogos católicos e calvinistas, na esperança de que pudessem chegar a um acordo. Quando esses projetos fracassaram, a regente fez promulgar, em 1562, o edito de São Germano, que concedia aos huguenotes a liberdade de continuar no exercício de sua religião, porém lhes proibia ter templos, reunir-se em sínodos sem a permissão do estado, recolher fundos, manter exércitos, etc … Assim, a única coisa permitida aos huguenotes era reunirem-se para seus cultos sempre que isso acontecesse fora das cidades, de dia, e sem armas. Naturalmente, o propósito deste edito era ganhar o favor dos protestantes, assegurando-se porém de que não tivessem nenhum poder político e militar.

Os de Guisa não respeitaram este edito e trataram de destruir a paz religiosa com a finalidade de reconquistar o poder. Um mês e meio depois do edito, os irmãos de Guisa, comandando duzentos homens armados, rodearam o estábulo em que se reuniam os protestantes na aldeia de Vassy, e mataram tantos quantos conseguiram.

A matança de Vassy foi a causa imediata da primeira de uma série de guerras religiosas que sacudiram a França. Depois de várias escaramuças, ambos os lados organizaram seus exércitos e saíram a campo, os católicos sob o comando do duque de Guisa e os protestantes sob o comando do almirante Gaspar de Coligny, um dos mais respeitáveis homens da época. Os católicos ganharam as principais batalhas, porém seu general foi assassinado por um nobre protestante, e exatamente um ano depois da matança de Vassy, chegou-se a um novo acordo, outra vez com base numa tolerância limitada para com os protestantes. Entretanto essa paz também não foi duradoura, pois houve outras guerras religiosas em 1567 e 1568, e em 1569 e 1570.

A Matança de São Bartolomeu

A paz de 1570 prometia ser duradoura. Catarina de Médicis se mostrava disposta a tornar fazer as pazes com os protestantes, aliás sempre com a esperança de que a ajudassem a limitar o poder dos Guisa. Em 1571, Coligny se apresentou na corte, e rapidamente causou forte impressão no jovem rei, que chegou a chamá-lo de “meu pai”. Além disso, foram feitos planos para casar Margarida, irmã do rei e portanto filha de Catarina, com Henrique de Bourbón, filho de Antonio Bourbón, que era um dos principais chefes do partido protestante.

Tudo parecia ir bem para os huguenotes, que depois de tantos sofrimentos poderiam finalmente apresentar-se livremente na corte e nos demais lugares públicos. Porém debaixo das doces aparências se escondiam outras intenções. O novo duque de Guiza [ou Guisa?], Henrique, estava convencido de que sua mãe tinha sido assassinada por ordem de Coligny, e queria vingar sua morte. Catarina começava a sentir ciúmes do nobre protestante cuja régia fidalguia tinha conquistado a admiração do rei. Assim tramou-se uma conspiração para desfazer-se de alguém que sem dúvida alguma tinha a mais limpa e respeitável figura nesses tempos turbulentos.

Os principais chefes huguenotes se encontravam em Paris para as bodas de Henrique de Bourbón, rei de Navarra, com Margarida Valois, irmã do rei da França. As núpcias se celebraram com toda pompa em 18 de agosto, e os protestantes se alegravam de ver-se, não apenas tolerados, mas também respeitados, quando ocorreu o atentado aleivoso. O almirante Coligny ia para sua casa, de regresso do Louvre, quando de um edifício de propriedade dos de Guiza dispararam, levando-lhe o indicador de sua mão direita e ferindo-o no braço esquerdo.

Coligny não morreu, mas os irados huguenotes clamaram pedindo justiça. O rei tomou a investigação a sério. Dizia-se que a arma que fora utilizada no atentado pertencia ao duque de Guiza, e que o assassino tinha fugido num cavalo proporcionado pela rainha mãe. Alguns diziam também que o irmão do rei, Henrique de Anjou, fazia parte da conspiração. O rei, indignado, despediu os Guiza da corte.

Em tais circunstâncias era necessário para os conspiradores tomarem medidas mais drásticas. De acordo com os Guiza, Catarina de Médicis convenceu a Carlos IX de que existia uma grande conspiração huguenote, encabeçada por Coligny, para apoderar-se do trono. O rei, que nunca tinha mostrado independência de critério, deu crédito à estória, e assim se montou rapidamente o cenário para que ocorresse a terrível matança.

A matança de São Bartolomeu. No canto inferior esquerdo, o atentado contra Coligny. Sua morte está representada no lado direito, onde é visto sendo surpreendido em seu leito. Depois, seus assassinos o jogam pela janela para a rua, onde o espera o duque de Guiza. Nos outros lugares ocorrem fatos semelhantes. Enquanto isso, no campo superior esquerdo, o rei se entretém jogando com seus cortesões no pátio do palácio.

Na noite do dia de São Bartolomeu, 24 de agosto de 1572, com o aval do rei e seguindo instruções de Catarina de Médicis, o duque de Guiza reuniu os encarregados de guardar a ordem da cidade e lhes deu suas instruções, indicando-lhes a cada uma das casas que deveriam assaltar e quem seriam suas vítimas. E ele mesmo encarregou-se pessoalmente do almirante Coligny, que estava convalescente.

Coligny foi surpreendido em seu quarto, onde foi ferido repetidas vezes. Porém ainda em vida, o jogaram pela janela para a rua, onde o duque o esperava o qual pisoteou-o e o matou. Depois mutilaram horrivelmente seu corpo e colocaram o que restou no patíbulo de Montfaucon.

Enquanto isso, uns dois mil huguenotes foram mortos de maneira semelhante. No próprio palácio real do Louvre, o sangue corria pelas escadarias. Os dois príncipes de sangue, protestantes, Luiz de Condé e Henrique de Bourbón, rei de Navarra e cunhado do rei, foram levados diante dele, e salvaram-se negando sua fé.

A matança de Paris foi o sinal para que se produzissem feitos semelhantes nas demais províncias. Os de Guiza haviam enviado ordens nesse sentido e, apesar de vários magistrados terem-se negado a cumpri-las, dizendo que não eram verdugos nem assassinos, os mortos somaram dezenas de milhares.

A notícia comoveu o resto da Europa. Como temos dito, Guilherme, o Taciturno, que na ocasião marchava sobre Bruxelas (e que depois se casou com uma das filhas de Coligny) foi obrigado a suspender sua campanha. Isabel da Inglaterra vestiu-se de luto. O imperador Maximiliano II, apesar de ser bom católico, expressou seu horror. Porém em Roma e em Madrid os sentimentos foram muito distintos. O papa Gregório XII, a princípio comovido, quando entendeu que o protestantismo tinha sido extirpado da França ordenou que se cantasse um Te Deum em celebração da noite de São Bartolomeu e que se fizesse o mesmo todos os anos para comemorar o supostamente glorioso acontecimento. Quanto a Felipe II, diz-se que ao inteirar-se do sucedido, riu pela primeira vez, em público, e ordenou também um Te Deum e outras celebrações.

A guerra dos Três Henriques

Entretanto, o protestantismo não tinha morrido na França. Carentes de chefes militares devido a matança de São Bartolomeu, os huguenotes se fizeram fortes nas regiões de La Rochelle e Montauban, que um tratado anterior lhes havia concedido, e se prepararam para lutar, não mais contra os Guiza, mas contra o próprio rei a quem tachavam de tirano e assassino. Rapidamente receberam o apoio de muitos católicos, que cansados das guerras religiosas, criam que para o bem do país, requeria-se uma política de tolerância, os quais receberam o apelido de “os políticos”. Enquanto isso, Carlos IX, incapaz de levar o peso da consciência por causa da noite de São Bartolomeu, demonstrava cada vez menos capacidade para governar, até que finalmente, veio a morrer, em 1574.

A coroa passou então a seu irmão Henrique de Anjou, um dos autores da matança. Pouco antes, sua mãe, Catarina de Médicis, tinha-o elegido rei da Polónia. Porém ao saber da morte de seu irmão, sem preocupar-se sequer em abdicar, correu até Paris para tomar posse do trono. Como sua mãe, Henrique III não tinha convicções maiores que as necessárias para tomar ou reter o poder. Portanto, quando foi persuadido de que lhe era conveniente, fez as pazes com os protestantes, aos quais concedeu liberdade de culto, exceto em Paris.

Os de Guisa e os católicos mais extremistas não demoraram para reagir. Com a ajuda da Espanha, organizaram uma “Santa Aliança”, que declarou guerra aos protestantes e que chegou a contar com o apoio do indeciso rei, que se encontrava em dificuldades tanto políticas quanto econômicas. Uma vez mais o país viu-se submerso em guerras fratricidas que não conduziam a nenhum resultado, pois os huguenotes eram incapazes de vencer os católicos, e estes não tinham força para acabar com aqueles.

Então a possível sucessão do trono teve uma reviravolta inesperada. O último dos filhos de Henrique II e Catarina de Médicis, Francisco de Alençon, morreu. Visto que o rei não tinha filhos, seu herdeiro seria Henrique de Bourbón. Este príncipe, que tinha caído prisioneiro em Paris como consequência da noite de São Bartolomeu, tinha conseguido escapar em 1576, e trocado de religião pela quarta vez, declarando-se novamente calvinista. Mesmo que seus costumes licenciosos (e os de sua esposa Margarida de Valois) não fossem do agrado dos huguenotes, foi ao redor dele que se formou um núcleo de resistência protestante.

Os católicos não podiam tolerar a possibilidade da França ter um rei protestante. Era necessário tomar medidas antes que o trono ficasse vago. O que se idealizou então foi fazer Henrique de Guisa o presumido herdeiro do trono. Em Lorena apareceu um documento segundo o qual os de Guisa descendiam de Carlos Magno, sendo seu direito à coroa superior ao que tinham, não só os Bourbóns, como também os Valois, que reinavam na ocasião.

Havia então três partidos, cada um encabeçado por um Henrique. O rei legítimo, Henrique III de Valois, era dos três, o menos digno e menos hábil. O pretendente católico, Henrique de Guisa, não tinha mais direito ao trono que ele, o que lhe dava um documento reconhecidamente espúrio. O chefe protestante, Henrique de Bourbón, rei de Navarra, não pretendia que o trono francês fosse seu, porém era ele o legítimo herdeiro.

A guerra teve suas marchas e contra marchas, até que Henrique de Guisa se apoderou de Paris, e Henrique III recorreu ao método que antes ele e seu rival tinham empregado contra os protestantes. No dia antes da Noite-Boa de 1588, por ordens do rei, Henrique de Guisa foi assassinado no mesmo lugar onde quinze anos antes tinha dado ordens para a matança de São Bartolomeu. Entretanto isso não pôs fim à oposição. Ninguém confiava em um rei que repetidamente se manchara com assassinatos políticos. Os católicos buscaram novos chefes e continuaram a luta. E rapidamente a situação do rei tornou-se desesperadora e, por fim, não teve mais remédio que fugir de Paris e refugiar-se no acampamento de seu antigo rival, Henrique de Bourbón, que ao menos o reconhecia como o soberano legítimo.

Henrique de Bourbón recebeu o rei com todo respeito, ainda que naturalmente, não lhe permitiu determinar o curso de suas ações políticas. Porém essa situação não demorou muito, pois um dominicano Jacobo Clemente, convencido de que os católicos mais extremistas tinham razões quando diziam que o rei era um tirano e que em tais circunstâncias o “regicídio” era permitido, infiltrou-se no acampamento e matou o rei.

A morte de Henrique III não pôs fim à guerra. Henrique de Bourbon, o verdadeiro e legítimo herdeiro do trono, tomou o título de Henrique IV. Porém os católicos não estavam dispostos a ter um rei protestante. Da Espanha, Felipe II buscava um meio de apoderar-se da França. O papa declarava que a herança dos Bourbóns não era válida. E nessas circunstancias, a campanha se prolongou por quatro anos, até que, convencido de que só ganharia de fato o trono se se tornasse católico, Henrique trocou de religião mais uma vez. Ainda que a frase: “Paris bem vale uma missa“, que lhe tem sido atribuída, seja provavelmente falsa, não resta dúvida de que expressa seus sentimentos. No ano seguinte, o novo rei entrou em Paris, e com isso pôs fim a várias décadas de guerras religiosas.

Mesmo fazendo-se católico, Henrique IV não esqueceu seus velhos companheiros de armas. Sua atitude para com eles foi sempre leal e cortês, até o ponto que os católicos mais recalcitrantes diziam que tinha-se tornado herege. Finalmente, em 13 de abril de 1598, fez promulgar o Edito de Nantes, que concedia aos protestantes liberdade de culto em todos os lugares onde tinham igrejas até no ano anterior, exceto Paris. Além disso, para garantir sua segurança, concedeu-lhes, por um período de oito anos, todas as regiões que tinham ocupado em 1597.

Apesar de suas instabilidades amorosas e religiosas, Henrique IV foi um dos melhores reis da França, devolvendo ao país sua antiga paz e prosperidade. Morreu em 1610, depois de um longo e memorável reinado, vítima do fanático assassino François de Ravailac, que estava convencido de que Henrique IV era um herege protestante.

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