Culto e Cultura: a participação humana na adoração a Deus

Já dissemos que cultura é toda criação material ou imaterial do homem que é socializada pelos membros de determinada sociedade, tribo, nação etc. Ela é também o modo pelo qual um grupo humano responde e se relacionada com seu meio ambiente. Também vimos que faz parte do propósito de Deus a diversidade cultural. Depois destacamos como deve ser a relação entre a missão cristã e a diversidade cultural, e neste post, queremos traçar alguns comentários sobre o culto cristão, como uma celebração sagrada e secular ao mesmo tempo pois envolve a participação do homem que aceita o cristianismo em toda parte da terra e em meio à diversidade cultural e suas celebrações a Deus.

1. O culto: uma celebração antropo-teológica

Um dicionário[1] muito antigo que tenho destaca as palavras cultura, cultivo, culto e suas derivações como sendo de uma mesma raiz etimológica latina. A palavra cultura com o sentido tanto como o “efeito de cultivar” a terra, quanto à ideia de “instrução”, ou de uma pessoa que tem “cultura”, neste ultimo caso, uma pessoa “instruída” ou “civilizada”; e a palavra culto, como “… adoração ou homenagem à divindade em qualquer de suas formas, e em qualquer religião” (CUNHA: 1982, p. 233).  E como sabemos que a religiosidade e a consequente crença em seu deus ou deuses são parte da cultura imaterial dos povos, não há dúvida de que a forma de culto destes povos reflete a cultura de quem o celebra e/ou dos seus partícipes crentes.

Para cultuar os seus deuses, na sua busca transcendental de aproximação com o sagrado, povos em geral constroem templos, altares, comidas, amuletos, livros, símbolos etc. e assim expressam sua fé através de orações, promessas, louvor, sacrifícios e assim por diante. Mas queremos estacar, aqui, especificamente, o culto cristão e sua relação com a cultura.

O culto é parte das celebrações dos cristãos a Deus, entendido teologicamente a partir da interpretação das Escrituras, como o Pai, o Filho (Cristo) e o Espírito Santo. É uma forma de adoração expressa através de reuniões coletivas, cujos atos mais básicos, conforme aconteciam na igreja primitiva – igreja do século I – eram: “… a leitura e a exposição das Escrituras; as orações; o entoar de salmos, hinos e cânticos espirituais; e a observância dos sacramentos” (R. G. RAYBURN. In: ELWELL: 1990, p. 20). Sobre os sacramentos ou ordenanças, salientamos dois: o Batismo e a Ceia do Senhor, dos quais falaremos mais adiante.

Ainda sobre os cultos da Igreja Cristã no primeiro século, Robert Hastings NICHOLS (Op. Cit., pp. 22-23) destaca que as reuniões eram realizadas nas casas – pois ainda os cristãos não possuíam templos – e havia dois principais tipos de cultos. Um deles, uma espécie de reunião ou culto de oração, do qual participavam também outras pessoas – não cristãs e/ou não batizadas. Além das orações, tinham também testemunhos, ensinamentos, cânticos de Salmos, surgem os primeiros hinos cristãos, leituras e explicações das Escrituras do Velho Testamento. O outro tipo de culto era a Festa do Amor ou Fraternidade, uma refeição comum, muito alegre, da qual participavam apenas os cristãos batizados. Era durante estas refeições que se celebravam a Ceia do Senhor com parte do pão servido na Festa e também vinho. Este culto era realizado no primeiro dia da semana para comemorar a ressurreição de Cristo. Daí, este dia – o primeiro da semana – ser chamado domingo ou Dia do Senhor, desde o primeiro século. Com o tempo, a forma de celebração do culto – do qual não nos deteremos aqui – foi se modificando, mas seus elementos principais (oração, cânticos, exposição da Palavra, Santa Ceia ou Eucaristia, Batismo etc.) foram mantidos por serem partes integrantes e indispensáveis nas celebrações cristãs.

Quando afirmamos que o culto é uma celebração antropo-teológica queremos enfatizar o lado humano e cultural (antropológico) das pessoas que prestam cultos a Deus, mas seguindo a liturgia cristã aplicada no desenvolvimento do culto (teológico). No seu excelente trabalho sobre o tema[2] o professor Ildemiro Silva de OLIVEIRA destaca a liturgia cristã como o ordenamento do culto, cujos rituais estão voltados para o diálogo entre Deus e seu povo e, vice-versa; expressão derivada do grego com a ideia de um serviço público, isto é, de comum do povo… Mas o termo – liturgia – que se tornou mais conhecido a partir do século XVIII, na verdade, seu contexto antecede a ideia do termo grego como uma forma de serviço comunitário ou público. Segundo ainda o autor, “… o culto, antes de ser uma celebração a Deus, deve ser entendido também como a recapitulação da história da salvação. (…) Ele precisa revelar os propósitos de Deus que se renovam dia-a-dia no seio do seu povo. (…) Cada culto celebrado, seja ele Santa Ceia, Batismo ou qualquer outro ofício diário tanto quanto casual, deve aproximar mais o homem e a mulher para junto do Pai e fomentar maior comunhão comunitária (OLIVEIRA: p. 4).

Mas embora o culto e/ou suas celebrações diárias, semanais, mensais ou anuais sejam atos sagrados com seus ritos de adorações ou de aproximações a Deus, quem os fazem são cristãos ou não, mas seres humanos que não deixam de lado seus aspectos culturais e se prendem apenas aos elementos transcendentais na hora do culto. Até nos momentos mais espirituais como orações, louvores, transmissão ou absorção da Palavra, elementos culturais acompanham os crentes: os gestos, o estilo, a fala, principalmente, os instrumentos, ritmos musicais e assim por diante. Por isso, como veremos, é possível haver num culto cristão trocas de valores culturais e teológicos sem necessariamente perder sua essência e/ou tornar-se uma cerimônia de cunho herético.

2. Ordenanças do culto cristão e sua relação com as culturas

Dois dos sacramentos[3] ou ordenanças que queremos destacar aqui são o Batismo e a Ceia do Senhor. O primeiro, uma espécie de “rito de iniciação” na vida da igreja, e o outro, um ato de comunhão e fortalecimento dos cristãos. E em relação a estas ordenanças acho interessantes as observações feitas por Justo L. GONZÁLEZ, acerca dos elementos naturais e culturais que envolvem as mesmas. Sobre o Batismo, ele afirma que esta ordenança, por ser uma celebração que faz uso da água, um elemento natural, constitui um dom de Deus para o ser humano e não algo que este produza por si mesmo, ou seja, não é um elemento cultural. Há um paralelismo entre a água aplicada no Batismo e a graça de Deus. Assim como a água, a graça também não é produto do esforço humano. Ele destaca ainda que embora haja diversas posições em relação ao modo do Batismo[4] e quem deve recebê-lo, numa coisa todos concordam: o uso da água na cerimônia e a crença na graça de Deus como um favor imerecido do homem.

A outra ordenança, a Ceia do Senhor ou Comunhão, em contraposição com o Batismo, emprega em sua celebração o pão e o vinho. Estes não são produtos diretos da natureza, mas resultados da atividade humana. Há diferentes tipos de pães, sendo o trigo, o principal produto cultivado pelas culturas, mas também há pães de milho, de batata, cevada e outros. Mas sua fabricação demanda diversos tipos de trabalhos como semear o trigo, por exemplo, cultivar a semente, colher e moer o produto, transformando-o em farinha. Depois disto, ainda é preciso adicionar água, fermento, ferver a massa, assar, para depois desse longo processo, obter o pão. Ou seja, o pão é o resultado de elemento natural (trigo) e cultural (o processo de fabricação).

O vinho (ou suco da uva) tem um processo semelhante ao do pão, pois assim como o trigo, a uva é um produto natural cultivável e que para se chegar ao produto final, o vinho, este passa por diversas etapas de atividades humanas. O contraste com o Batismo, que é dádiva gratuita – a graça – de Deus ao homem, a Santa Ceia diz respeito à participação do homem e o que ele pode fazer com aquilo que Deus lhe deu. Voltando então ao que já dissemos, que “… a cultura é o modo pelo qual um grupo humano responde e se relacionada com seu meio ambiente, vemos que a diferença entre a água do batismo e o pão e o vinho da comunhão é paralela à diferença entre o jardim que Deus dá ao ser humano e o resultado do cultivo desse jardim” (Op. Cit: pp. 141-142). Neste caso, o jardim é uma espécie de protótipo ou maquete (por falta de outra definição mais adequada) do Planeta, considerando que água, trigo, uva etc. existiam também lá à disposição do homem. Portanto, “… se o batismo aponta para a graça livre e soberana de Deus, a comunhão nos recorda que, justamente por sua graça, ele nos permite colaborar em sua obra criadora e redentora” (Idem: p. 142).

No culto os cristãos tomam parte segundo os propósitos de Deus. E tanto o Batismo quanto a Comunhão/Santa Ceia são sinal e instrumento da unidade entre os crentes capaz de cruzar fronteiras culturais. A água utilizada no Batismo é a mesma para todas as culturas, mas o pão – um dos elementos da Comunhão – muda de região para região e de cultura para cultura. “A própria variedade cultural implica variedade no pão, e a variedade no pão indica a aceitação das diversas culturas por parte de Deus” (p. 143). Portanto, a combinação destes dois sacramentos/ordenanças apresenta um simbolismo muito grande no culto cristão, pois apontam para a unidade cristã: a água, que simboliza a graça, para a unidade dos cristãos com Deus, e o vinho e o pão, objetos de uma cultura universal, como resultado da unidade entre os irmãos.

3. O culto, a inculturação e a troca de valores culturais

Bem, já vimos que os cristãos utilizam nas ordenanças do culto, elementos que ultrapassam fronteiras culturais: água, pão, fruto da vinha… E embora haja diferenças nas suas celebrações, os cristãos vivem em unidade mediante estes elementos. A grande entidade que os acolhe em seu seio é a igreja[5], a assembleia universal dos remidos por Cristo. Também não é nossa intenção demorarmos aqui sobre seu conceito, história, significado etc., mas de forma sintética refletir apenas no significado que a igreja representa para os cristãos: o papel de uma grande família. Há um paralelismo entre a família chamada igreja e as culturas. Enquanto na igreja, entendida não como uma entidade fechada e com limites definidos, existe toda uma rede de parentes com limites imprecisos, com a cultura acontece o mesmo. As culturas se entrelaçam, mesclam e confundem, e é possível até pertencer a mais de uma delas.

Os crentes em Cristo vivem pelo menos em duas culturas, uma a qual os rodeia e outra, a da igreja ou comunidade a qual pertencem. Isto porque a igreja, segundo a ótica do Novo Testamento, deve pregar a cultura do reino, acerca da qual já falamos em outro momento. Mas há de se esperar que o evangelho pregado pela igreja se acondicione nas mais diversas culturas e prime pela sua capacidade de adaptação. Foi o que aconteceu com o evangelho proposto por Cristo, os apóstolos e a igreja primitiva. Ele conseguiu se ambientar a diversas situações. Ou seja, a igreja primitiva, ao mesmo tempo em que inculturou ao seu culto ritos e símbolos exercidos em outras culturas, reinterpretando-os à sua realidade, também aculturou diversas culturas e povos com sua proposta salvadora. Isso sem alterar seus princípios doutrinários.

Ainda que a inculturação ou enculturação não seja a forma ideal na relação entre a igreja e as culturas e apresenta os seus problemas[6], mas queremos destacá-la aqui por causa de sua importância nas trocas culturais entre os diversos povos e a igreja, sem deixar de considerar, obviamente, que neste intercâmbio os absolutos do Evangelho podem e devem ser adaptados, mas nunca desvirtuados de seu significado real das Escrituras. Nesse sentido, voltando ao estudo feito por OLIVEIRA (q. v.), ele destaca a importância da inculturação para o culto cristão, uma vez que ela o ajuda na interpretação dos valores culturais. Isto porque não há como um cristão viver uma “práxis cristã” ou estabelecer um formato de culto essencialmente puros, sem ser atingido pelo que muito já foi considerado de “esfera pagã” ou “secular”. “O culto cristão, muito mais do que os conceitos simplistas podem oferecer, revela ter sido influenciado por culturas diversificadas. Nesta perspectiva não apenas a história se incube de desvendar essa associação promovida por meio da inculturação, mas também, os próprios indícios bíblicos e teológicos apontam para sua maturação” (Op. Cit. p. 12). Nenhum rito litúrgico está desprovido de influência cultural. E o que a inculturação propõe é reconhecer e conscientizar da necessidade de adaptações extra culturais em sua liturgia, sobretudo na comunicação do evangelho para a cultura a que a igreja se propõe pregar. Desta forma, para propagar o Jesus que tomou forma humana e identificou-se com a cultura circundante de seus dias, as contribuições de outras culturas em todas as partes do planeta são importantíssimas. E o culto cristão torna-se rico, mediante a inculturação, pela diversidade das expressões simbólicas, dinamismo, expressões verbais e corporais, sinais, símbolos e outros elementos culturais que deixam as celebrações ricas, com mais beleza e vivacidade.

Conclusão

O culto cristão tem o objetivo não de desaparecer com as culturas, mas de redimi-las. E a prática deste princípio de redenção das culturas fará acontecer o que está em textos como este: “Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugares à mesa no reino de Deus” (Lc 13.29). Para que isto aconteça é preciso que pessoas e culturas do Oriente, Ocidente, Norte e Sul, ou seja, dos “quatro” cantos da terra, se rendam ao Senhor, que um dia humanizou-se e consumou toda a obra de salvação, que é extensiva a “todo aquele que nele crê” (Jo 3.16). Veja mais este texto: “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação” (Ap 7.9-10). Portanto, quando o culto cristão é celebrado entre as multidões, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em nome do Cordeiro e na cultura destes povos, é o indicativo de ter cumprido o seu objetivo. Reafirmando, para finalizar, que culto, cultura e cultivo são dons de Deus, e para Ele, “… seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora e para todo o sempre. Amém!” (Jd, v. 25).

Referências Bibliográficas:

  • CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: 1982.
  • ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, Vol. I e II. São Paulo: Vida Nova, 1990 (1ª ed.).
  • GONZÁLEZ, Justo. L. Cultura & Religião: o lugar da cultura no plano de Deus. São Paulo: Hagnos, 2011.
  • OLIVEIRA, Ildemiro Silva. Culto e Cultura: Influências e relevâncias históricas e contextuais da cultura sócio-religiosa popular e sua repercussão na liturgia do culto cristão. Texto publicado em 06 de Agosto de 2018. In: <https://www.webartigos.com/artigos/culto-e-cultura/159156>. Acesso em: 11/02/2019.
  • NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana: 1985.

Notas:

  • [1] In: CUNHA, vide Referências bibliográficas.
  • [2] OLIVEIRA Ildemiro Silva de.  Culto e Cultura: Influências e relevâncias históricas e contextuais da cultura sócio-religiosa popular e sua repercussão na liturgia do culto cristão. (q.v.). O autor defende que “o culto cristão, apesar de demonstrar ser algo completamente sacro e genuíno, apresenta também seu aspecto secularizado. Presente no dia-a-dia da comunidade sofre grande influência desta, bem como, determina seu status quo de fé e de conduta…”.
  • [3] Sacramentos e ordenanças são termos utilizados por católicos e protestantes, respectivamente. A Igreja Católica celebra sete sacramentos que são o batismo, a confirmação ou crisma, a eucaristia (ou Ceia do Senhor para os protestantes), reconciliação ou penitência, unção dos enfermos, ordem e matrimônio. Os protestantes, após a Reforma do século XVI, conservaram apenas dois destes sacramentos, que passaram a ser chamados de ordenanças, que são o Batismo e a Ceia do Senhor. Para a maioria dos protestantes, a expressão ordenança é mais adequada segundo a interpretação do Novo Testamento, uma vez que esta prática (Batismo ou Santa Ceia) é apenas uma demonstração de fé dos cristãos e não meios transmissores de graça como são entendidos os sacramentos para os católicos.
  • [4]É notável que, ao longo da história da igreja, se tinha discutido tanto acerca da forma e do sentido do batismo – se deve ser por imersão ou não, se somente os adultos devem ser batizados, etc. – e ao mesmo tempo tenhamos perdido de vista o fato simples e claro de que o batismo, seja com for, é sempre praticado com água, e com a mesma água em todas as partes” (GONZÁLEZ: 2011, p. 143).
  • [5] O vocábulo igreja deriva-se do latim ecclesia e ou grego ekklesia (assembleia) significa tanto uma “congregação local de cristãos” (Mt 18.17 At 15.41; Rm 16.16; 1Co 4.17…) quanto “universal” (Mt 16.18; At 20.28 1Co 12.28; 15.9; Ef 1.22). Destacamos o segundo sentido, ou seja, a igreja como uma “assembleia universal” que é parte do Reino de Deus. (Afirmamos isto, pois acreditamos que o “Reino de Deus” tem um sentido mais abrangente do que a Igreja). E em relação a ela, ficamos com o sentido empregado por João Wycliffe e os reformadores que faziam distinção entre igreja “visível” e “invisível”. Seguindo este raciocínio, a igreja invisível consiste somente da reunião dos “eleitos” e, nesse caso, membros das milhares de igrejas locais não participam, necessariamente, da igreja invisível e universal (Fonte: R. L. OMANSON. Apud ELWELL, 1990, Vol, II, pp. 286-287).
  • [6] Justo L. GONZÁLEZ adverte sobre alguns problemas em relação à enculturação, enfatizando, por exemplo,  que “… visto que a cultura é para o ser humano como a água para o peixe, há o sério perigo de que simplesmente tomemos o que nossa cultura nos ensina, a ‘batizemos’, por assim dizer, e façamos pouco para transformar seus elementos negativos. Esse perigo não é imaginário, mas é tão real que a história nos proporciona exemplos abundantes’” (Op. Cit., p. 131).
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